Para enfrentar bem essa fase de (falta de) saúde delicada pela qual estou passando, procuro ser o mais otimista possível. Por exemplo, consegui enxergar com bons olhos o período em que estive no hospital – foram dez dias internada em uma suíte confortável, com leito automático, quarto e banheiro com aquecedor/ar condicionado, frigobar, TV a cabo e mais algumas "frescurinhas" que, confesso, às vezes faziam parecer que eu estava em um SPA e não em um hospital. Quando vinha a agonia, a vontade de quebrar tudo, arrancar o soro e fugir, eu lembrava das tantas pessoas que naquele momento estavam passando mal tanto quanto eu ou até mais, isoladas em um canto minúsculo com mais "trocentas" pessoas doentes, sem a mínima condição de se distrair com o que quer que fosse a não ser sua própria imaginação. Então eu me sentia uma felizarda e agradecia aos deuses por aquilo tudo que estava à minha disposição, pois até de comida (ainda que sem sal) eu tinha fartura e variedade. Eu ainda podia me dar ao luxo de chamar a nutricionista e reclamar, dizer que não como carne vermelha simplesmente porque não gosto e pedir que mudasse o cardápio enquanto muita gente estava morrendo sem ter nem mesmo o que comer. Literalmente, há quem reclame de barriga cheia e eu venho tentando me manter fora desse grupo de pessoas.
Hoje, mesmo estando em casa, eu ainda não me recuperei, mas estou bem. Há semanas que só coloco os pés na rua quando preciso ir ao médico e minha rotina se resume a testes de glicemia para controle do diabetes, remédios para auxiliar no funcionamento dos rins, alguns minutos no computador (geralmente só para não ficar o tempo todo deitada na cama), banho, televisão ou leitura, alimentação e basta. Se estou entediada? Sim, estou. Se isso tudo é uma tragédia? Não, não é. Novamente penso nas pessoas que não têm um décimo da sorte que eu tenho, pessoas que não recebem toda essa atenção que eu recebo da minha família, a preocupação dos amigos, o carinho dos meus gatos. É tanta energia boa que não tenho como dizer que eu não estou bem. A minha vida seria perfeita se, além disso tudo, eu não precisasse me preocupar com a saúde. E, como nada é perfeito, coloquei tudo em uma "balança" e cheguei à conclusão de que eu sou feliz.
Wednesday, 09/09/2009 às 19:19 hs. | Arquivado em: Internet, Pessoal, Saúde | 3 comentários
Algumas pessoas acreditam que hoje (09/09/09) é, ou ao menos tem início, o fim do mundo. O que essa gente não percebe é que o mundo está acabando desde o começo dos tempos, mas enfim. Em uma data tão mística e polêmica é quando coloco o Redescobrindo online pela primeira vez. Pensei em fazer um post enorme explicando por que escolhi esse título para o blog, contando detalhes sobre essa fase que tem sido a mais complicada e também a mais lúcida da minha vida, então notei que nada disso é relevante, pelo menos por enquanto. Basta dizer que "redescobrir" as pequenas coisas, que tornam a vida tão grandiosa, é minha meta. Depois de quase quinze anos convivendo com o diabetes e as complicações dessa disfunção severa (porque ser diabética não significa apenas usar injeções de insulina todos os dias e não poder comer doces), acabo de decobrir também uma nefropatia que fez com que meus rins chegassem a ter apenas 15% de funcionamento. Entre tantas dúvidas, medos e incertezas (afinal havia a possibilidade de eu precisar fazer diálise ou até mesmo entrar para a enorme fila dos que aguardam um transplante de rins) me dei conta de que querer vencer significa já ter percorrido metade do caminho da vitória. E é quando se faz uma descoberta dessas que a gente passa a valorizar cada detalhe. Estou redescobrindo o valor das minhas amizades, do amor que recebo da família, de cada coisinha que um dia me pareceu insignificante. Isso é o que pretendo compartilhar com quem estiver acompanhando o blog: meu dia a dia, um pouco da minha vida que é sim, como todas são, cheia de altos e baixos, mas de onde pode-se extrair também algumas boas lições.
Obviamente essa vida não se resume a problemas de saúde e nem de longe esse blog deve ser visto como um espaço para lamentações – pelo contrário. Tenho muita coisa boa para dividir com vocês e isso será notado através dos mais diversos assuntos aqui publicados que irão desde literatura a moda, passando pelo universo musical e tecnológico. Minha intenção não é ter um "blog de sucesso", receber centenas de comentários ou coisas do tipo. O que pretendo é manter um canal de comunicação com pessoas que, por uma razão ou outra, tenham algo a ver comigo, ainda que essas pessoas façam parte de um grupo pequeno.
Então aqui começa o Redescobrindo, meu blog pessoal e intransferível. Acomodem-se, aceitem uma xícara de chá com bolachas (diet) e mantenham a boa educação que devem ter, mesmo virtual. Sejam todos muito bem-vindos!


